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05/08 Como é o executivo que as empresas buscam?



A dúvida da grande maioria dos profissionais hoje é saber se o conhecimento que possui é suficiente ou se a adição de um novo curso ao seu currículo poderia torná-lo ainda mais competitivo no mercado de trabalho. Certamente, quanto mais conhecimento o profissional tiver maiores serão as chances de ser reconhecido nas empresas em que trabalhar. No entanto, só conhecimento não é mais suficiente. Então, quais as características que as organizações efetivamente procuram em um executivo? A resposta para esta pergunta está na matéria da Revista sãopaulo do Jornal Folha de S.Paulo de 28/07/2013.

SALTO NA CARREIRA

Por MARCEL GUGONI O que há de novo nos programas de educação executiva das principais escolas de negócios paulistanas O executivo que as empresas buscam hoje não é mais o superespecialista que, encastelado em sua sala, decide os rumos da empresa a partir de conhecimentos turbinados por um curso de MBA. Também não é esse o profissional que as escolas de negócio querem conquistar. Se fosse possível desenhar o perfil do executivo do futuro, mercado e academia traçariam juntos algumas características: ter visão global da empresa, valorizar o autoconhecimento, ter experiência internacional, praticar o "intraempreendedorismo" (ser um funcionário empreendedor) e a futurologia. Sim, é adivinhação, mas sem misticismo. O "futuring", ou futurismo, consiste em aplicar um conjunto de ferramentas e técnicas a serviço do planejamento. Trata-se de saber projetar cenários futuros para atender às estratégias da empresa. Ou, no idioma dos iniciados, é a "modelagem de cenários de riscos e oportunidades para os negócios". No Insper, até o final deste ano, alguns cursos de educação executiva passarão a ter disciplinas que incluam o "futuring". "Quando falamos em visão de futuro, entregamos várias ferramentas para o executivo para que ele desenvolva essa capacidade de planejamento em um prazo de cinco a dez anos", afirma Rodrigo Amantea, coordenador da área de Educação Executiva do Insper. Módulos internacionais são outra tendência na educação corporativa, sejam eles oferecidos como parte de um MBA ("master in business administration", na sigla em inglês) ou como um programa de extensão opcional. "A internacionalização é irreversível', afirma Armando Dal Colletto, diretor acadêmico da Business School São Paulo (BSP), braço de educação executiva e pós-graduação da Anhembi Morumbi. "O mercado global hoje já sabe como chegar ao Brasil. Nós precisamos saber como falar com o mundo." A escola é uma das que oferece cursos com módulos no exterior, obrigatório no caso do "executive MBA" (ministrado no Brasil, com aulas em inglês, e também com disciplinas cursadas nos Estados Unidos). Na Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras), há um curso voltado para o mercado de capitais com uma etapa de palestras na Bolsa de Valores de Nova York e em agências de avaliação de risco. A viagem, opcional, é uma jornada de aprendizado ("learning journey") que as escolas de negócio vêm adotando como complemento aos cursos regulares. Mauricio Queiroz, diretor acadêmico da FIA (Fundação Instituto de Administração), acredita que a vivência no exterior é cada vez mais importante, mas não deve ser considerada isoladamente. "Experiência internacional é bem-vinda, mas não é sozinha a solução para formar um bom executivo." O fim da era 'multitask' A formação executiva busca conceitos de outras áreas para ampliar o alcance e a eficácia da gestão. É o caso, por exemplo, da atenção maior que as escolas têm dado às disciplinas comportamentais. "Quem tem dificuldade de entender as habilidades políticas e não possui boas táticas de negociação ainda enfrenta muita dificuldade nas empresas", diz o diretor da FIA. Capacidade de liderança, habilidade de negociação e inteligência emocional são consideradas as "soft skills" que as escolas não podem mais deixar de abordar em seus cursos. Fernando Trevisan, diretor-geral da Trevisan Escola de Negócios, afirma que é preciso haver mais equilíbrio entre as competências técnicas e as disciplinas comportamentais nos currículos executivos. "São elas que estimulam a reflexão nos negócios", diz. Neste ano, a grade curricular da escola foi reformulada para dar mais ênfase a matérias como negociação e gestão de equipes. "Nunca a questão do gerenciamento de pessoas foi tão importante, porque os colaboradores, hoje, estão cada vez menos propensos a passar anos na mesma empresa", afirma. "Isso é um desafio para quem gerencia uma equipe." A capacidade de ser "multitask" (multitarefa) também já não é considerada um diferencial. Não basta mais executar várias missões ao mesmo tempo, e sim saber unir vários setores da empresa. "[Em uma empresa,] tudo o que fazemos é em conjunto, com participação de várias áreas compostas por pessoas de formações e 'backgrounds' diferentes", aponta José Cláudio Securato, presidente da Saint Paul Escola de Negócios. Por isso é tão importante a figura de alguém que saiba orquestrar personalidades em prol de um mesmo objetivo. "O líder deve, em seu comportamento, desenvolver resiliência. Isso significa ser capaz de se adaptar às pressões e aos desafios sem sofrer desgaste pessoal e sem se estressar." Tipos de curso Quando saber se é hora de voltar a estudar? Especialistas sugerem que, no início da carreira, o profissional busque complementar a formação com cursos de curta duração dentro de sua área de interesse. Em geral, são cursos mais técnicos, com 4h a 20h, para aprofundar temas vistos de maneira mais rasa na graduação. Amantea, coordenador de educação executiva do Insper, diz que os novos líderes costumam buscar mais cursos de gerenciamento, de como delegar, como negociar, como liderar. Já para um MBA, as escolas costumam selecionar profissionais mais maduros, com ao menos cinco anos de experiência de liderança. Dal Colleto, da Business School São Paulo, afirma que é comum realizar entrevistas e pedir carta de recomendação para avaliar a maturidade profissional do candidato e ajudá-lo a buscar a melhor classe de acordo com seus objetivos de carreira. "A seleção é importante para um grupo 'andar junto', com níveis parecidos." Mario Pinto, diretor executivo do FGV Management, braço de administração e educação executiva da Fundação Getulio Vargas, diz que a escola também realiza entrevistas pessoais com cada candidato para evitar que o executivo escolha o curso errado ou inicie as aulas sem muita experiência gerencial acumulada. "Isso é um problema, porque se investe dinheiro e tempo." Vale a pena, segundo os entrevistados, refinar a lista de potenciais cursos a partir de rankings de melhores escolas, verificar se o MBA é reconhecido pela Anamba (Associação Nacional de MBA) e se o curso de extensão e pós-graduação tem registro no MEC (Ministério da Educação).