Blog

03/10 Está chegando a época da caça aos temporários



Fonte: Supermercado Moderno
Por Viviane Sousa - 03/10/2011
Com a aproximação das festas de final de ano, período de maior circulação de público no comércio varejista, é comum as lojas promoverem uma verdadeira corrida em busca de mão de obra temporária. A estimativa é que, até dezembro, sejam criadas 147 mil vagas, em todo Brasil.  O dado é da Asserttem (Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário) e representa uma alta de 5% em relação ao mesmo período de 2010, quando foram criados cerca de 140 mil postos. Mais uma vez, o comércio varejista será responsável pela abertura de boa parte dessas vagas, cerca de 70%.  Como em qualquer outro processo de contratação, algumas regras devem ser seguidas, não apenas para garantir que o quadro de funcionários da empresa seja reforçado por pessoal capacitado, mas principalmente para evitar problemas com a Justiça do Trabalho. Em vigor há mais de 30 anos, a lei nº 6.019 determina que as empresas empregadoras procurem agências ou consultorias que estejam autorizadas a contratar profissionais em regime temporário.  Isso significa que nenhum empregador pode recrutar temporários e colocá-los em sua folha de pagamento. Mas de acordo com Alexandre Campos, diretor comercial da Alli, agência especializada em gestão de pessoas, há muita empresa que faz isso. O esquema é o seguinte: a área de Recursos Humanos contrata os temporários com base nas regras da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), como se estivesse preenchendo vagas de trabalho efetivo. Mas após os três primeiros meses de experiência esse pessoal é demitido.  Esse é um processo incorreto, cujo risco de a empresa ser alvo de ações trabalhistas por parte do contratado é alto. Também é comum ocorrerem recrutamentos do tipo informal, ou seja, sem contrato. Tal prática é ilegal e pode resultar em autuações e multas, além de processos.  Vantagens de terceirizar O que muitas empresas parecem não saber é, que além de mantê-las dentro da lei, a contratação de temporários, quando feita pelas agências de trabalho autorizadas, lhes garante algumas vantagens. Uma delas é que não manterão vínculo trabalhista com esses colaboradores, já que serão terceirizados. As agências é que se responsabilizam por seu pagamento, aviso prévio, rescisão e vale transporte. “Ainda asseguram seus direitos, como indenização e auxílio doença”, explica Fernando Montero, diretor de operações da Human Brasil, consultoria de RH.  As agências também costumam se responsabilizar por uma parte do treinamento dos temporários. Eles já vão para as empresas com uma noção básica do que terão que fazer. E se, no dia a dia, eles não se adaptarem à tarefa, são automaticamente substituídos por outros. Viviane Prado, gerente de recrutamento da Allis, observa que é importante as empresas exigirem tudo isso das agências de trabalho no contrato de prestação de serviço. “Também vale solicitar que mostrem sua licença de atuação, para evitar problemas futuros com a Justiça do Trabalho”, alerta.  Seleção deve ser criteriosa O que essas agências de trabalho também fazem é se encarregar da seleção dos temporários. Esse processo é feito com base nos perfis definidos pelo empregador, levando em consideração as características de todos os cargos que têm vagas a serem preenchidas. Algumas empresas gostam de participar mais ativamente do processo de seleção. Há exemplos interessantes no setor de autosserviço.  No Paraná, o Caioba Supermercados mantém um banco com a lista dos temporários que mais se destacaram ao passar pela empresa. Segundo Gilceu Sontello, proprietário da rede, todo final de ano sua equipe entra em contato com esses profissionais para saber se estão disponíveis para trabalhar novamente nas lojas. “Essa medida nos ajuda a economizar tempo durante o processo de contratação. Sem contar, que o fato de já conhecermos esses profissionais nos dá mais segurança na hora de recrutá-los”, diz Sontello.  Já o Pato Branco, três lojas, em Vilhena (RO), mantém um banco com currículos de temporários, cujo perfil já foi aprovado por sua área de RH. “Como os temporários terão pouco tempo para se adaptar às suas atividades, fazemos uma seleção bem criteriosa. Isso nos ajuda a reforçar o quadro de funcionários da casa com pessoal competente”, conta Tieli Freitas, gestora de RH da rede.  Segundo Montero, da Human Brasil, durante a avaliação dos candidatos, deve-se levar em conta a experiência anterior na função, habilidades e demais conhecimentos. Também é necessário observar sua personalidade e capacidade de concentração. Na lista ainda entra nível de comunicação, proatividade, educação, vontade de aprender e até assiduidade. Dinâmicas e entrevistas individuais ajudam a medir essas características.  Os melhores podem ficar Alguns temporários se destacam a ponto de merecer uma efetivação, apesar de terem pouco tempo para mostrar serviço. Como costuma enfrentar problemas de falta de mão de obra, devido á alta rotatividade do setor, o Pato Branco aproveita os talentos para preencher vagas efetivas. “Durante o período de férias, que vai de dezembro a fevereiro, perdemos muitos funcionários. Com essa medida mantemos o quadro completo, sem necessidade de novas seleções e treinamentos”, comenta Tieli.  De acordo com dados da Asserttem, 29% dos temporários deste final de ano serão efetivados. Somente os supermercados vão responder por 20% dessa média. Para avaliar quem merece ficar, Montero, da Human Brasil, sugere que seja criado um questionário sobre o desempenho do funcionário. As perguntas devem ser respondidas pelo gestor e também pelos colaboradores que trabalharem com o profissional.  O consultor sugere questões do tipo “como se comportou no período de trabalho?”, “é um profissional com iniciativa?”, “se preocupa com a qualidade?”. Para facilitar a tabulação dos resultados, sugira respostas em forma de notas de 1 a 5, sendo que a mais baixa significa que o respondente discorda totalmente e a mais alta quer dizer concordância total. Aqueles que ficaram acima da média podem continuar na empresa, de acordo com as oportunidades disponíveis. Desta forma, nenhum talento será perdido.  Primeiro emprego Boa parte do pessoal disponível para as vagas temporárias deste final de ano não tem experiência no mercado de trabalho. De acordo com a Asserttem, jovens em situação de primeiro emprego devem preencher quase 30% dos postos que serão abertos até dezembro.  Apesar da falta de conhecimento, esses jovens não precisam ser ignorados por sua empresa. Eles costumam ter muita disposição para trabalhar e aprender rápido as tarefas. Como a correria nas lojas é grande nesse período, eles podem fazer a diferença em atividades como a de repositor e empacotador. A dica é não colocá-los em atividades que exijam habilidade específica e muita responsabilidade.  Contratação antecipada A maioria das redes supermercadistas encontra dificuldades para encontrar bons profissionais em áreas que necessitam de algum conhecimento técnico. Para não passar por esse problema, Alexandre Campos, diretor comercial da Allis, sugere que o processo de recrutamento desses profissionais seja antecipado, para que estejam dentro das lojas já no mês de setembro. Muitas empresas já estão fazendo isso. Se a seleção começar em outubro, por exemplo, orisco de não encontrar pessoal capacitado será maior.  Parceiros para treinar Mesmo com um perfil que atenda todas as expectativas da empresa e  com o treinamento básico que recebem nas agências, os temporários precisam passar por processos específicos de aprendizagem, para que a qualidade do atendimento oferecido pela loja não caia. A dica é utilizar o espaço de tempo entre a definição da contratação e o início do trabalho (em geral de alguns dias) para oferecer uma preparação básica por meio de uma apresentação ou um workshop na própria empresa.   Em algumas áreas, como padaria e açougue, os próprios fornecedores podem ajudar a prepará-los nos procedimentos básicos, como confecção de pães e bolos e cortes de carne. Tente negociar essa parceria no momento de definir os pedidos de Natal. Nas três lojas do Pato Branco (RO), além de passarem por treinamentos, os temporários ganham uma espécie de padrinho.   Segundo Tieli Freitas, gestora de RH da rede, funcionários modelos, que representam a imagem da empresa e estão familiarizados com as rotinas da função, acompanham os novatos por até cinco dias. “Nesse período, os temporários apenas observam, só depois é que colocam a mão na massa. O resultado é significativo. Percebemos que, assim, o nível de erros cometidos por esse pessoal é bem menor”, revela. Veja como funciona o contrato temporário: Conforme a lei nº 6.019  O que é trabalho temporário? De acordo com a lei, é aquele prestado por pessoa física a uma empresa, para atender à necessidade transitória de substituição de seu pessoal regular e permanente ou de acréscimo extraordinário de serviços.   Como é feito o contrato? O supermercado não pode contratar funcionários temporários diretamente. Tem de recorrer a uma empresa especializada nesse tipo de contratação.  Vale por quanto tempo? Três meses, com possibilidade de uma única prorrogação por mais três meses. Para isso, é necessário registrar o requerimento de prorrogação no órgão regional do Ministério do Trabalho, até quinze dias antes do término do contrato.   Quais são os direitos dos funcionários? Os trabalhadores temporários têm, entre outros, o direito de receber remuneração equivalente à dos funcionários da mesma categoria. Também recebem férias proporcionais ao término do contrato ou em caso de dispensa sem justa causa, além de indenização por tempo de serviço.  Qual é a carga horária permitida? Oito horas diárias, salvo disposições legais específicas para algumas profissões. Poderão ser acrescidas duas horas adicionais, mediante acordo por escrito entre a empresa que contrata temporários e o profissional. Nesse caso, a remuneração deverá sofrer acréscimo de pelo menos 20% sobre o salário normal.   Número de temporários cresce a cada Natal 2011: 147 mil* 2010: 140 mil 2009: 125 mil 2008: 115 mil 2007: 105 mil *Projeção   Aumento nas vagas em relação a 2010 será de 5%  Jovens em situação de primeiro emprego devem preencher 28% das vagas  29% dos temporários serão efetivados  Salário médio dos temporários no comércio varejista deve variar entre R$ 690 e R$ 996  Sudeste concentra maior parte das contratações Sudeste: 51,26% Nordeste: 19,54% Sul: 18,01% Centro Oeste: 6,38% Norte: 4,81%  Estados que mais abrem vagas temporárias São Paulo: 30,31% Minas Gerais: 11,25%  Rio de Janeiro: 7,62% Rio Grande do Sul: 6,71% Paraná: 6,26% Bahia: 6,23% Ceará: 5,09%