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17/01 RH deve ganhar reforço nos orçamentos em 2012



Por Vivian Soares - Valor Econômico Cada vez mais estratégica e conectada aos negócios, a área de recursos humanos vem ganhando importância também nos orçamentos das empresas, que devem reforçar seus investimentos em gestão de pessoas em 2012. Essa é a avaliação de representantes do setor ouvidos ontem, em São Paulo, na cerimônia de premiação das empresas eleitas como "As Melhores na Gestão de Pessoas", da revista "Valor Carreira". De acordo com Marcelo Munerato, líder regional para a América Latina da AON Hewitt, o fato de muitas das melhores empresas pretenderem manter e até aumentar seus investimentos em RH, mesmo com a ameaça de uma nova crise, é um indicativo de que essas companhias estão no caminho certo. "O país vive um ótimo momento e uma das consequências disso é a escassez de talentos", afirma. Na opinião dele, os profissionais devem ser treinados, desenvolvidos e mantidos mesmo com a aproximação de um período de turbulência, para otimizar os resultados. "Nem todas as empresas, porém, têm lucidez para entender esse momento", complementa. Enxergar uma potencial crise como oportunidade, no entanto, faz parte da estratégia do Itaú Unibanco. Segundo o diretor Marcelo Orticelli, apesar de o Brasil viver um bom momento, o país não está imune ao cenário externo. A percepção para o futuro, contudo, é positiva. "Estamos atentos à possibilidade de trazer talentos dos mercados atualmente mais instáveis", afirma o diretor, que tem feito visitas ao exterior em busca de brasileiros nas melhores escolas de MBA. "O curioso é que estou sendo abordado, em português, por estrangeiros interessados em trabalhar no banco", conta. Na UTC Engenharia, a capacidade de adaptação é considerada um dos ativos da companhia. "Nos últimos 37 anos, a empresa passou com êxito por diversos cenários, mantendo sempre um sólido ritmo de crescimento ", ressalta Fernando Monteiro, líder executivo de suporte corporativo. Segundo ele, investir em formação profissional será prioridade em 2012. O aprendizado com a crise global também ajudou as ganhadoras a se prepararem para possíveis ameaças externas. Na Ticket, por exemplo, a participação do RH nas decisões estratégicas já é realidade. "Adotamos medidas para proteger empregos e reestruturamos alguns programas. Hoje, o foco é capacitar, atrair e reter bons profissionais", diz Eliane Aere, diretora de RH e responsabilidade social.  Na Sama Minerações Associadas, a estratégia é apostar na parceria com os colaboradores para obter melhorias nos processos, aumento da produtividade e redução de custos. "O RH precisa olhar tanto as pessoas quanto os resultados dos negócios. O sucesso depende de confiança e comprometimento de ambas as partes", afirma o gerente Moacyr de Melo Júnior. O alinhamento com a alta direção também explica o fato de muitas das ganhadoras já terem acionado seus departamentos de gestão de pessoas sobre uma possível mudança de cenário econômico brasileiro. Na Zanzini Móveis, a primeira medida foi informar os colaboradores sobre o panorama mundial e os riscos que o país poderá correr. "Reduzimos custos, mas sem cortes de pessoal e de benefícios", diz Paulo Grael, coordenador de sistemas de gestão. A despeito da instabilidade global, uma das maiores preocupações das companhias vencedoras continua ser a de encontrar talentos. Na ADM, do setor agrícola, uma equipe especializada é responsável por recrutar em universidades de todo o Brasil. "Também temos parcerias locais para buscar técnicos qualificados", complementa Márcio Muchão, diretor de RH para América do Sul. O desafio é o mesmo na Teleperformance. O presidente Paulo César Salles Vasques afirma que a empresa mapeia profissionais em faculdades, ONGs e associações. "Estamos preparados para um cenário de muita demanda por mão de obra e concorrência em diversas áreas", afirma. A Belagrícola também está otimista em relação aos investimentos previstos em RH para o próximo ano, que deverão crescer 30%. "Estamos intensificando a qualificação dos profissionais, principalmente nas funções de liderança. Temos de prepará-los para lidar com possíveis mudanças no cenário econômico", explica a gerente de RH Adilséia Batista. O desenvolvimento de pessoas está no centro das estratégias das companhias que atuam em áreas onde a disputa por talentos é mais acirrada, como na Iesa Óleo & Gás. "Apostamos no programa de estágio e em um plano de capacitação para todos os funcionários", afirma o gerente João Carlos Moreira, que calcula em 15% o aumento da verba na área para 2012. Também nesse segmento, a GDK reforçou seus programas de desenvolvimento de líderes. "Levávamos até 20 anos para formar um gestor. Hoje, o prazo é de cinco", diz a gerente Leide Queiroz. Na São Bernardo Saúde, uma das preocupações é manter a satisfação dos colaboradores, o que levou a empresa a reforçar os benefícios e a participação nos lucros. "Nosso desafio é crescer de forma sustentável, o que só é possível com pessoas comprometidas", diz a diretora Karina Santana. Outros atrativos como possibilidade de crescimento na carreira também fazem parte das metas e até mesmo da cultura de algumas das ganhadoras. Segundo o diretor de RH do Bradesco, José Luiz Rodrigues Bueno, o banco não tem tradição de buscar executivos no mercado. "Admitimos profissionais em início de carreira e abrimos as possibilidades de crescimento a todos. Esse é um importante fator de retenção." Hermínia Schreinir, diretora de RH da Pormade, explica que a companhia trabalha fortemente no alinhamento dos profissionais à cultura corporativa. "Nosso desafio é acompanhar as expectativas dos funcionários e criar um ambiente saudável para fazê-los permanecer na empresa", diz.